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Não há dor, você está retrocedendo
Uma fumaça de um navio distante no horizonte
Somente te vejo chegando por entre ondas
Seus lábios se movem, mas eu não consigo ouvir o que você está dizendo
Quando eu era criança tive uma visão fugaz
Pelo canto do olho
Eu virei para olhar mas tinha sumido
Eu não pude tocar na ferida
A criança cresceu
O sonho se foi
E eu me tornei
Confortavelmente entorpecido

 

Comfortably Numb (Pink Floyd)

Em casa, em casa novamente,
Eu gosto de estar aqui quando posso
Quando eu chego em casa com frio e cansado,
É bom esquentar meus ossos ao lado do fogo
Muito longe, atravessando o campo
O badalar do sino de ferro
Convoca os fiéis a se ajoelharem
Para ouvir feitiços em voz suave.

 

Time (Pink Floyd)

E assim chegou 2009… Muitas expectativas, muita ansiedade, aquele sentimento de que tudo vai mudar. E mudou, seja para melhor ou para pior, mas mudou. Não é hora de relembrar os erros cometidos, o que poderia ou não ter sido feito em tal momento, as palavras que não foram ditas (e até mesmo as que foram ditas e não deveriam ter sido). Deixe para pensar nisso lá pelo dia 02 de janeiro. Ou nem pense nisso também. Aqueles problemas que te atormentaram no início do ano, no meio, ou no fim do ano, e mesmo aqueles que te perseguiram durante o ano todo, que sejam queimados, e que suas cinzas sejam enterradas, porque não podemos arriscar (lembrando da piada da sogra do empresário). Que 2010 comece do zero, sem os problemas de ontem e sem a ansiedade do que possa vir a acontecer amanhã. Viva o hoje. E que chegue logo 2010…

A loucura escapa sem controle de dentro de mim. Junto com a loucura, a sanidade se esvai, como uma artéria rompida pelo golpe frio da lâmina cega da indiferença. Se disserem que estou nervoso ou irritado, eu direi que são cegos os que pensam assim. Se disserem que estou triste, apenas completarei o pensamento: “Não estou apenas triste, acrescente a esta lista: chateado, frustrado, decepcionado…”. Transformado em um fantasma, de um passado esquecido em fotos velhas, perdidas em algum álbum do Orkut. Passando por um período turbulento de transição, onde deveria estar calmo e tranqüilo. E não podendo contar com ninguém, ou melhor, quase ninguém. Mas mesmo assim sozinho, pois a pessoa que mais me entende, ou eu acho que mais me entende, está a quilômetros daqui.

Pode soar meio profético, mas um certo trecho de uma música que ando escutando por esses dias, reflete bem como me sinto. “Minhas mãos estão vazias, como meu corpo e alma…”*, é o que diz. Trecho perfeito para a ocasião perfeita. Somando-se a isso, vem os problemas que não deveriam existir a esta altura dos acontecimentos. Da tristeza, surge a raiva. Da raiva, as palavras impensadas. Das palavras impensadas, o arrependimento. Mas meu mapa astral anda tão louco, que eu pulei da raiva, de volta para a tristeza. Me livrei das palavras impensadas e do arrependimento, mas bem que eu queria me livrar da tristeza também. Se eles não estivessem cegos, enxergariam como eu estou, assim como outrora, outros enxergaram e me compreenderam. Mas eles se foram, e os que vieram estão tão ligados às suas relações interpessoais restritas por similaridades, que ignoram aquele que outrora era o único “diferente” com quem eles podiam se relacionar tranqüilamente. De amigo para simples conhecido, de simples conhecido para desconhecido total.

Tentei ignorar, pensei que eram outros problemas que me atormentavam, como de fato chegaram a atormentar, mas a conclusão foi certa e triste. E fica a pergunta no ar: “O que virá agora?”.

 

* Trecho de Silence and Distance, do disco Holy Land, da banda Angra.

Sonho acordado.
Não me lembro de quando foi a última vez que eu sonhei dormindo.
Também, nos últimos anos, eu tenho caído feito uma pedra na cama.
E assim segue meu drama.
Tento levar esta sutuação sorrindo.
Mas muitas vezes, as pessoas me vêem mal-humorado.
Só que, recentemente, tudo está diferente.
Nem acordado eu sonho direito.
Preocupado com os tormentos da vida.
E não encontrando saída.
Eu sei que nada é perfeito.
Mas por que a tristeza se faz tão presente?

Cavalgo pelas planícies de asfalto e concreto.
Montado em minha besta de aço e fogo.
Buscando por respostas.
Buscando um novo caminho.
Quem sou eu?! Um nômade.
De onde vim?! Pergunte ao vento.
Para onde vou?! Nem mesmo eu sei.
Apenas sigo.
Ouvindo meus pensamentos.
Abafados pelo som de minha máquina.
Com o olhar fixo no horizonte.
A estrada como minha companheira.
Na bagagem, muitas perguntas.
E na mente, a esperança de encontrar as respostas.
Quem sabe eu não encontre o segredo da vida?!

 

*Reaching Horizons é o título da demo tape do Angra, lançada em 1992, e de uma das faixas da mesma demo tape, regravada também no EP Freedom Call.

Loucura?! É… Já diziam por aí que "de médico e de louco, todo mundo tem um pouco"… Mas acredito que eu seja mais louco do que médico… Existem momentos em que eu consigo controlar a minha paranóia, mas hoje (como sempre, mas nunca cumpro) cheguei à conclusão de que devo expulsá-la quando se fizer necessário. O acúmulo de raiva, frustrações, angústias, stress, só faz com que, na hora em que você não consegue mais segurar tantos problemas, você deixe de ver as coisas pelo lado crítico, e passe a ver as coisas pelo lado ofensivo… É aí que surge a famosa "teoria da conspiração", onde você passa a acreditar que tudo e todos estão contra você (e acreditem, posso não ser um especialista, mas entendo muito bem disso…).
 
No fim das contas, isso só leva ao caos psicológico, semelhante ao caso do bulldog nervoso, que não enxerga nada e só ataca o que está na frente, não importando quem ou o que seja… Estranho eu dizer isso, já que há alguns dias atrás, eu estava vivendo uma situação parecida, senão igual. No fim das contas, eu acabo chegando à mesma resposta: as pessoas à minha volta podem ter culpa, mas eu também não posso me isentar de culpa. Se os outros erraram, eu também errei, tenho que dar a cara à tapa e assumir a minha parte da culpa.
 
No mais, já comecei a sentir os bons ventos da mudança. Mas espero que essa mudança não seja de um tempo ruim, para um tempo pior ainda. Continuo sentindo algo estranho no ar, mas…
 
E enquanto isso, o Universo continua com sua sinfonia silenciosa…

Antes jogar as emoções no lixo
Do que se sentir um lixo emocional.**

 

* Garbage Collector é um processo usado no gerenciamento de memória nos sistemas computacionais, no qual é possível recuperar a zona de memória que um programa não utiliza mais.

** Parafeaseado (ou quase plagiado, espero que não) do texto "Ice Cream Phoenix", do meu amigo Page Saban.

Esquecido na imensidão do Universo
Vagando sem rumo, sozinho
Apenas observo ao meu redor
Pessoas conversando, rindo, se divertindo
Vivendo
Ninguém nota a minha presença
Ou notam, mas me ignoram
Como se eu não fosse um merecedor de sua companhia
Por que será que eu ainda me preocupo com eles?!
Ás vezes penso "será realidade ou apenas paranóia minha?"
"Estaria eu pensando besteira ou a verdade está estampada na minha frente?"
Mas nunca encontro uma resposta coerente.
Acho que preciso de um tempo
Preciso parar de refletir tanto
E caminhar mais
Caminhar até que as brumas de Glastonbury*
Encubram o meu caminho…

 

* Glastonbury é tida como a Ilha de Avalon, em algumas versões do mito arturiano.

A brisa fresca da manhã me acorda, mas não consegue levar meu sono embora. Havia chovido durante a madrugada, e eu ainda podia sentir o cheiro da terra molhada, que me trazia lembranças de um passado quase esquecido no meio das preocupações cotidianas. Lembrançãs de um tempo em que não existiam preocupações (a não ser as notas na escola), ao contrário do stress cotidiano atual.
 
Me fez pensar também nas lembranças que eu nunca terei, de momentos que eu nunca vivi, dos sentimentos não correspondidos, das experiências que nunca vivenciei, talvez por medo ou impossibilidade, imposição ou divergência de idéias. A frustração toma conta do meu ser, mas eu acabo me controlando, já que a única certeza que eu tenho é de que o tempo não volta.
 
Deixo meus pensamentos e frustrações de lado e sigo em frente, enquanto, por trás das cortinas deste teatro que se chama vida, o Universo continua a executar sua sinfonia silenciosa…